Modelo chega por R$ 159 mil em versão única e aposta em autonomia de até 435 km para disputar espaço com SUVs compactos a combustão
A GWM Brasil oficializou, em 24 de junho, o lançamento do Ora 5, primeiro SUV 100% elétrico da marca chinesa no país. O modelo chega às concessionárias em versão única, com preço especial de lançamento de R$ 159.000, e passa a ser o segundo veículo movido a bateria da fabricante no mercado nacional, depois do hatch Ora 03. A novidade representa uma mudança de postura da montadora, que até então havia concentrado seus esforços no segmento de híbridos. Com o Ora 5, a GWM entra de frente em uma das categorias mais disputadas do país: a de SUVs compactos.
A estratégia da montadora não se limita a conquistar quem já busca um carro elétrico. Segundo reportagem do jornal O Tempo, a GWM projeta que mais da metade dos compradores do Ora 5 venha de motoristas que hoje dirigem SUVs compactos a combustão, com destaque para os líderes do segmento: Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Honda HR-V. O argumento central da marca é o custo total de propriedade, que segundo a companhia seria até 16% menor do que o dos concorrentes diretos, somando manutenção, revisões e benefícios fiscais como o IPVA isento para elétricos em alguns estados.
Ficha técnica e autonomia
O conjunto mecânico do Ora 5 reúne um motor elétrico dianteiro de 204 cv de potência e 26,5 kgfm (260 Nm) de torque, com aceleração de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos e velocidade máxima limitada a 170 km/h. A energia vem de uma bateria de íons de lítio do tipo LFP, com 58,3 kWh de capacidade, segundo informações divulgadas pela própria GWM. A autonomia certificada é de 349 km pelo ciclo do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro e de 435 km pelo ciclo WLTP, uma diferença que reflete a forma distinta como cada protocolo mede o consumo de energia.
Em carregadores rápidos DC de até 120 kW, é possível recuperar de 30% a 80% da carga em 20 minutos, o que coloca o tempo de recarga em patamar competitivo dentro do segmento. Já em uma tomada wallbox de 11 kW, instalada em garagens residenciais, a recarga completa leva cerca de 8,5 horas. O SUV também traz tecnologia Vehicle-to-Load (V2L), com potência de até 6 kW, capaz de alimentar equipamentos externos a partir da própria bateria do carro, um recurso útil em situações de falta de energia ou em atividades ao ar livre, como camping.
Equipamentos e segurança
Entre os itens de série estão teto panorâmico de vidro com cortina elétrica, bancos dianteiros em couro sintético com ajustes elétricos e ventilação, central multimídia com tela de 14,6 polegadas e painel digital configurável de 10,25 polegadas com três layouts. O carro também oferece carregador de smartphone por indução de 50 W, compartimento climatizado de 3,2 litros e sistema de som com nove alto-falantes e potência de 216 watts. No exterior, chamam atenção os faróis Full LED inteligentes e as rodas de liga leve de 18 polegadas.
O pacote de segurança inclui frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo com função stop and go, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado dianteiro e traseiro e câmera de 540 graus com visão de chassi transparente. São seis airbags, e a carroceria conta com 75,3% de aço de alta resistência. A garantia oferecida é de cinco anos sem limite de quilometragem para o veículo e de oito anos ou 200 mil km para a bateria, números que costumam pesar na decisão de compra de quem ainda tem dúvidas sobre a durabilidade de carros elétricos.
Vale lembrar que o valor de R$ 159.000 é promocional. Segundo a própria GWM, o preço cheio deve ficar em torno de R$ 169.000 após o período inicial de lançamento, o que ainda assim mantém o modelo competitivo diante de rivais elétricos como o BYD Dolphin SE, vendido por R$ 159.990. O Ora 5 também é apontado por especialistas do setor como forte candidato a ser produzido futuramente em território nacional, na fábrica que a GWM está construindo em Aracruz, no Espírito Santo, o que poderia reduzir ainda mais seu preço nos próximos anos.
Fontes: O Tempo, GWM Brasil, Autos Segredos