Nova fase do programa passa a financiar também ônibus e implementos rodoviários, com juros a partir de 1% ao ano para autônomos
O programa Move Brasil, principal iniciativa do governo federal para renovação da frota de transporte rodoviário, entrou em uma nova fase com volume de recursos mais que dobrado. Segundo a Agência BNDES de Notícias, o valor total disponibilizado passou a ser de R$ 21,2 bilhões, ante os R$ 10 bilhões da primeira etapa, lançada no fim de 2025 e totalmente consumida em poucos meses, com mais de mil contratos de financiamento firmados em todas as regiões do país. O ritmo de adesão à primeira fase foi um dos principais argumentos usados pelo governo para justificar a ampliação.
A nova etapa foi anunciada em evento no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assinou duas Medidas Provisórias para viabilizar o programa. Do total de R$ 21,2 bilhões, R$ 14,5 bilhões vêm do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões são recursos próprios do BNDES, que segue como operador da linha em parceria com instituições financeiras credenciadas. Segundo a diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, mais de 80 instituições financeiras já operam em conjunto com o banco para distribuir o crédito.
O que muda na nova fase
Diferentemente da primeira etapa, restrita à compra de caminhões, a nova versão do Move Brasil passa a incluir também o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. O valor máximo financiável por beneficiário é de até R$ 50 milhões, com prazos de até cinco anos e carência de até seis meses para empresas, e prazos de até dez anos com carência de até doze meses para autônomos, conforme regulamentação aprovada pelo Conselho Monetário Nacional.
As taxas de juros variam conforme o perfil do solicitante: caminhoneiros autônomos que trocarem um veículo antigo por um novo ou seminovo com sucateamento podem ter taxas a partir de 1% ao ano, enquanto agentes operadores praticam taxas de até 8,8% para autônomos, 3% para empresas e 1,25% para o próprio BNDES, segundo dados divulgados pela Radioagência Nacional. O incentivo ao descarte de veículos antigos é deliberado: quanto mais velho o caminhão retirado de circulação, melhores tendem a ser as condições oferecidas ao financiador.
Impacto ambiental e segurança nas estradas
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou durante o evento que quem entrega o veículo antigo para reciclagem consegue condições ainda mais vantajosas no financiamento. A renovação da frota é apresentada pelo governo como medida que vai além do aspecto econômico: segundo dados citados pela Agência Brasil, um caminhão novo polui até 40 vezes menos do que um modelo com mais de 20 anos de uso, e a frota envelhecida está associada a maior risco de acidentes rodoviários, que figuram entre as principais causas de morte no país.
O setor de transporte rodoviário responde por cerca de 60% da movimentação de cargas no Brasil, segundo o próprio governo federal, o que reforça a importância estratégica do programa tanto para a logística nacional quanto para a indústria de caminhões, que vinha enfrentando queda nos emplacamentos desde 2025. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, já havia apontado o custo elevado do crédito como obstáculo central para a recuperação do setor, argumento que parece ter pesado diretamente na decisão do governo de ampliar o programa e reduzir os juros oferecidos.
Fontes: Agência BNDES de Notícias, Agência Brasil, Radioagência Nacional