Sedã compacto de projeto antigo sobrevive na prestação de serviço por rodar também com Gás Natural Veicular. Desempenho limitado, porta-malas grande, linhas agradáveis. Leia o teste

Por Paulo Eduardo

O Fiat Grand Siena roda com etanol, gasolina e GNV (Gás Natural Veicular). Entretanto, o desempenho do motor 1.4 flex é bastante modesto. O modelo foi lançado em março de 2012 e ainda é muito utilizado no serviço de táxi, aplicativo e tem a simpatia de alguns particulares.

VEJA TAMBÉM:

Os baixos valores de torque e potência limitam o desempenho do carro que pesa quase 1.100 quilos. Relação peso/potência é alta com etanol (potência maior): 12,4 kg/cv. Esse motor tem cabeçote com duas válvulas por cilindro e, por isso, fôlego limitado em alta rotação.

Tecla muda combustível

Uma tecla no console central alterna o combustível a ser queimado: GNV ou etanol/gasolina. De acordo com instaladores de GNV, o etanol é o combustível mais adequado ao GNV. O motor precisa de combustível líquido (etanol ou gasolina) para dar a partida mesmo com GNV nos cilindros.

Dois cilindros sobrepostos para armazenar o gás ficam no grande porta-malas. E ainda sobra bom espaço para bagagem. Ofertado como opcional, o Fiat Grand Siena pode sair de fábrica com predisposição para instalação do kit GNV por oficinas credenciadas pelo Inmetro.

O cabeçote do motor tem válvulas e sedes de válvulas mais resistentes e com nova geometria. O coletor de aspiração foi projetado para receber na posição correta os bicos injetores de gás para melhorar o enchimento do motor e a mistura ar/combustível.

Custo de instalação é alto

A instalação custa entre R$ 4 mil e R$ 5 mil. Cada cilindro tem capacidade de 7,5 m³ de gás natural veicular. O consumo médio na cidade é de 15 km/m³, com autonomia de 225 quilômetros. Na estrada, a média varia de 10 a 11 km/m³.

Motor tem funcionamento irregular. Ocorre oscilação em marcha lenta, além de pequenos e perceptíveis trancos em velocidades baixas e altas. Mais disposição no desempenho requer mantê-lo a 3.000 rpm, faixa de torque máximo.

Abastecido com etanol, o Fiat Grand Siena fica mais animado do que com GNV. Esse último é um combustível mais limpo do que o etanol, mas o rendimento do motor exige paciência do condutor. Ultrapassar exige cuidado. Embalado acompanha o ritmo na estrada, mas retomada é lenta.

O dilema é maior em subida íngreme. Com apenas motorista e passageiro da frente, e ar-condicionado desligado, o carro pena para vencer ruas íngremes na cidade. Se aclive for muito forte, desista.

Equipamentos básicos

O Fiat Grand Siena não tem recursos de projetos recentes: nem multimídia nem câmera de ré. Não tem controles de estabilidade e tração. Ainda assim continua prestando serviços pelo espaço interno razoável e porta-malas enorme. Interior bem iluminado, com luz no porta-luvas e no banco traseiro.

Direção tem assistência hidráulica. Volante bem dimensionado contém apenas comandos de áudio.  Computador de bordo registra informações básicas. ABS e airbag duplo frontal são obrigatórios por lei.

O quadro de instrumentos é de leitura imediata e tem indicador de temperatura do motor. Limpadores eficientes, enquanto os lavadores jogam água da metade do para-brisa para baixo. Assentos curtos na frente e atrás. Anatomia ruim dos bancos.

Câmbio de engates longos

Câmbio é mesmo utilizado pelos modelos mais recentes da Fiat, com engates longos e nem sempre precisos. Relações de transmissão são curtas, principalmente na primeira e segunda marcha para facilitar na arrancada. Motor gira a 3.000 rpm em quinta marcha a 100 km/h.

Freios bons em simulação de emergência. Há muita movimentação da carroceria, com inclinação excessiva em curva. Altura elevada do solo deixa o carro à vontade na transposição de rampas e demais obstáculos.

Rodamos 352 quilômetros na cidade e na estrada. Os 15 m³ de GNV foram consumidos, além da metade do tanque de etanol (24 litros). 

Quanto custa?

Grande Siena 1.4 tem preço sugerido de R$ 57.490. Preparação para GNV (R$ 690) e mais R$ 2.690 pelo kit Creative (volante em couro com comandos de áudio, sensor de estacionamento traseiro, rádio com CD, mp3, viva-voz Bluetooth e entrada USB), além de R$1.990 para rodas de liga aro 16 com pneus 205/55. Total: R$ 62.860.

Cores sólidas (vermelha ou branca) têm preço de R$ 990, enquanto as metálicas custam R$ 1.790. Preta não é cobrada. Garantia é de um ano para o conjunto e de três anos para motor e caixa.

Ficha técnica Grand Siena GNV

Motor
De quatro cilindros linha, flex, 1.368 cm³ de cilindrada, oito válvulas, com potências de 88 cv (etanol) e 85 cv (gasolina) a 5.750 rpm e torques máximos de 12,5 kgfm (etanol) e 12,4 kgfm (gasolina) a 3.500 rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; diâmetro de giro, 10,2 metros

Freios
Disco sólido na dianteira e a tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, McPherson, e barra estabilizadora; traseira, eixo de torção; altura mínima do solo, 16 centímetros;

Rodas/pneus
6×15” de liga leve (opcional) /185/60R15

Peso
1.094 kg

Carga útil (passageiros+ bagagem)
400 kg

Porta-malas
520 litros

Tanque
48 litros

Dimensões (metro)
Comprimento, 4,29; largura, 1,70; altura, 1,507; distância entre-eixos, 2,511

Desempenho
Velocidades máximas, 175 km/h (etanol) e 173 km/h (gasolina); aceleração até 100 km/h, 12,5 (etanol) e 13,1 (gasolina)

Consumo (km/l)
Urbano, 9,5 (e) e 14 (g); estrada, 9,5 (e) e 13,6 (g)

O post Avaliação: Grand Siena 1.4 GNV – é ideal para táxi, aplicativo e cliente pão-duro apareceu primeiro em Autos Segredos.