Dirigimos o novo Audi Q3 em um trajeto de 200 km entre as cidades mineiras de Belo Horizonte e Tiradentes

Tempo bom, estrada desimpedida e 200 quilômetros de distância até o destino: no caso, a turística cidade de Tiradentes (MG). Esse foi o cenário do nosso contato com o novo Audi Q3, uma das principais novidades que a Audi trouxe para o Brasil em 2020. O carro do test-drive é da versão Q3 Black, cujo preço sugerido parte de R$ 209.990.

Logo nos primeiros quilômetros de estrada, dá para notar que o desempenho não mudou muito em relação à geração anterior. Isso não chega a ser surpresa, uma vez que o motor 1.4 TFSI foi mantido. Não que falte força ao SUV: só não espere ímpeto esportivo. São 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, sempre com gasolina. Pois é, ainda não foi dessa vez que o novo Audi Q3 virou flex.

Na prática, o modelo respondeu bem em ultrapassagens e não perdeu o ritmo ao longo dos inúmeros aclives do trajeto. Para a maioria dos motoristas, isso é mais que suficiente. Mas o comprador de um carro Audi pode querer algo mais, certo? A verdade é que qualquer SUV compacto de marca generalista equipado com motor turbo entregará o mesmo nível de performance por um preço bem menor.

O caso é que um carro não se julga só pelas respostas do acelerador, certo? Em estabilidade, por exemplo, o Q3 faz jus à pecha de carro premium. Ele chegou a lembrar um hatch nas estreitas e sinuosas estradas que fizeram parte do itinerário até a cidade histórica: nem parece ser um veículo com carroceria elevada. E, o melhor, nem por isso a suspensão se mostrou desconfortável em pisos irregulares, revelando bom acerto por parte do fabricante.

O câmbio também é superior ao que se vê em SUVs generalistas. Em vez de uma caixa automática, há a automatizada de dupla embreagem e seis marchas da Audi, célebre por fazer trocas muito rápidas e suaves. Se o condutor quiser, pode operá-la sequencialmente por meio de paddle-shifts. A precisão da direção, que tem assistência elétrica, e a eficiência dos freios complementam o conjunto.

Nesse ponto, vale destacar que o novo Audi Q3 tem cinco modos de condução. Por meio de alterações nos parâmetros eletrônicos do acelerador, da direção e do câmbio, o comportamento pode se tornar mais esportivo ou mais dócil, ao gosto do freguês. Quem gosta de uma dirigibilidade mais estimulante deve optar pelo programa Dynamic, mas há também a intermediária e a relaxada Comfort. Outras opções são a Off Road e a Individual, que é personalizável.

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Aliás, se a ideia é guiar sem grande preocupação com performance, o motorista tem um outro recurso à mão: o controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, que é novidade da nova geração. Esse equipamento mantém o novo Audi Q3 a uma distância segura do veículo à frente, sem intervenção do motorista. Trata-se de um opcional da versão avaliada, associado a um sistema de frenagem automática.

Seja lá qual for a pegada, o motorista do Q3 sempre contará com uma ergonomia praticamente perfeita, com destaque para o volante de pequeno diâmetro e os bancos muito ergonômicos. Palmas também para o isolamento acústico, que deixa ruídos indesejáveis do lado de fora.

Pois bem, já deu para notar que o motorista de um novo Audi Q3 vai bem. Mas, e os passageiros? Para eles, os avanços da nova geração parecem ter sido ainda maiores. A Audi informa que o modelo cresceu 9,7 cm no comprimento e 7,7 cm no entre-eixos. Não é difícil constatar que há mais espaço a bordo: mesmo no banco traseiro, ninguém fica apertado.

Tampouco faltará espaço para a bagagem da turma, pois o porta-malas agora comporta até 530 litros. Mas é possível sacrificar um pouco o compartimento de carga em favor de maior área para no habitáculo, uma vez que o banco traseiro passou a deslizar sobre trilhos.

O acabamento, que já era bom, também evoluiu: o destaque é a forração em Alcantara (um tipo de couro similar à camurça), oferecido como opcional no novo Audi Q3 Black. Esse material está presente nos painéis de porta e nos bancos. Claro, não faltam superfícies emborrachadas e apliques metalizados a bordo.

Não chega a ser surpresa que a nova geração tenha trazido mais conectividade. No painel, uma tela de 8,8 polegadas comanda a central multimídia, enquanto outra, de 10,2 polegadas, configurável, numa solução que a Audi chama de Virtual Cockpit. A iluminação do habitáculo com possibilidade de alterar cores e de intensidade é opcional, formando um pacote com a forração em Alcântara.

Com todas essas mudanças, a Audi espera que o Q3 continue sendo um de seus produtos mais vendidos em nível mundial. Por aqui, inclusive, o modelo também tem essa missão. O fabricante, inclusive, não descarta aumentar a gama futuramente, com a volta do motor 2.0 TFSI. Só o tempo dirá se o consumidor brasileiro voltará a se encantar pelo SUV, mas é inegável que ele evoluiu positivamente. Inclusive no design, mais agressivo que o da geração anterior.

(*) Jornalista viajou à convite da Audi do Brasil.

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