Pegando carona no lançamento da nova geração da Strada, voltamos ao passado e andamos na Fiorino Trekking que ajudou a pavimentar o caminho de sucesso das picapes compactas Fiat

Há 24 anos, então com 19 anos de idade, ainda não pensava o que queria fazer da vida. Mas tinha uma certeza: trocaria minha Honda CG Titan Vermelha 1995 numa picape Fiat Fiorino Trekking.

A paixão começou quando um amigo comprou uma Fiorino LX amarela 1990 que acabou sendo trocada, em 1996, por uma Fiorino Trekking na cor verde. Os jovens de hoje não devem entender o porquê de querer comprar uma picape, mas na época a Fiorino Trekking e as Volkswagen Saveiro Summer e a Chevrolet Corsa pick-up eram os modelos que embalavam os sonhos de boa parte da rapaziada com seus 20 e poucos anos. 

No meu caso, talvez a paixão se remeta ainda à infância, quando assistia ao seriado The Fall Guy (Duro na Queda) no qual o ator Lee Majors fazia mil e uma peripécias ao volante de uma picape GMC K-2500 Sierra com faróis auxiliares no santantônio – como a Fiorino Trekking.

Ou quem sabe a vontade em ter uma Fiorino Trekking fosse em função da picape a fricção da Glasslite caracterizada como modelo do Esquadrão Classe A (brinquedo que ainda tenho), que também tinha um par de luzes extras no teto como na picapinha.

Falando nas luzes, a primeira coisa que fiz na noite em que o carro dormiu em minha garagem foi ligar todas luzes para me sentir um verdadeiro Lee Majors.

Mas enfim… Qual foi a influência pelo desejo, não sei precisar, mas é fato que as picapes representavam uma sensação de liberdade, de aventura e serviam até mesmo para parecer descolado.

Trekking chegou em 1995

Lançada em 1995, a Fiat Fiorino Trekking era o carro a ser comprado por minha versão do passado. Mas o destino e falta de grana à época não permitiram isso. O sonho de ter uma picape foi realizado anos depois, mas não era a sonhada Trekking.

Eis que então, 24 anos depois, a Fiat cede ao Autos Segredos uma Fiorino Trekking Azul de seu acervo para me levar de volta ao passado e aos bons tempos de quando era jovem, sem dinheiro no bolso e sem boletos para pagar.

Sempre cuido dos carros de avaliação cedidos ao site como se fossem meus e os dirijo com todo cuidado, não parando em qualquer lugar para devolve-los imaculados. Mas confesso que deu um frio na barriga ao pegar a Fiorino Trekking com apenas 18 mil quilômetros rodados e em estado de conservação como se praticamente tivesse saído da linha de montagem em 1996.

Sensação nas ruas

Ao sair pelas ruas de BH com a picapinha, a sensação era que estava dirigindo um lançamento pelas tantas viradas de pescoço e olhares de admiração nas paradas de semáforo. Até parabéns pelo carro eu ganhei, mas logo já dizia que não era meu e que o carro era do acervo da Fiat.

Para a época, os itens de conforto que se procuravam nos carros eram travas elétricas e vidros elétricos. Essa unidade não tinha nem isso, o máximo de recurso existente era um regulador instalado na coluna de direção que diminuía ou aumentava a cor verde do fundo do quadro de instrumentos.

Mas se faltavam itens de conforto, os materiais de acabamento fazem inveja nos carros de hoje. Os forros de porta da Fiorino Trekking são de tecido aveludado que é replicado no revestimento dos bancos. E não estamos falando de um tecido fino que é padrão nos dias atuais, o material é mais encorpado e confortável. O cuidado com o acabamento era um diferencial nas décadas passadas, até mesmo a parte de lata que divide a cabine da caçamba é revestido com um feltro.

Por dentro, o desenho do painel era idêntico ao do Uno, o volante era o mesmo que estreou no Mille ELX. Falando em volante, é visível como ele fica deslocado e desnivelado para à esquerda. Mas nada que tire a graça de dirigir um modelo projetado na década de 1980.

Homem e máquina

Ao dirigir carros antigos a ligação homem-máquina é direta, não há recursos eletrônicos de segurança como ASR, ESC ou mesmo o conforto de uma direção hidráulica. Mas é prazeroso! As manobras exigem mais “braço”, mas não precisa ser um praticante de halterofilismo. Se não há sensores de estacionamento traseiro, os grandes retrovisores da Fiorino Trekking cumprem seu papel para enxergar os possíveis obstáculos.

O motor 1.5 de 76 cv de potência e torque de 12 kgfm não proporciona um desempenho esportivo. O câmbio de cinco marchas tem relações mais curtas em função proposito do modelo de carga.

Dei algumas esticadas com a Fiorino Trekking e peguei trechos de estrada. Com seus 980 quilos, a picape é arisca e conjunto mecânico ainda proporciona uma direção divertida para os dias atuais, imagine para duas décadas atrás.

Suspensão

Se a Strada hoje deita em berço esplendido, boa parte ela deve para sua antepassada. A suspensão com eixo rígido, amortecedores hidráulicos, telescópicos de dupla ação e molas parabólicas longitudinais são uns dos grandes responsáveis pelo legado da Strada e por sua fama de excelente modelo compacto para o transporte de cargas.

Como jornalista automotivo gosto de dirigir qualquer tipo de carro e estou acostumado dirigir de populares a carros de luxo. Mas confesso que tenho um carinho especial pelos antigos, tanto que sempre que posso estou ao volante do Fusca 78 ou da Kombi 96 do meu irmão. Por isso, foi com uma dor no coração que devolvi a Fiorino Trekking para ser novamente integrada ao acervo da Fiat com alguns quilômetros a mais rodados e uma caçamba repleta de histórias para contar para os meus filhos.

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O post [Nostalgia] De volta a 1996 à bordo de uma Fiorino Trekking apareceu primeiro em Autos Segredos.